O governo Bolsonaro abandonou o atendimento médico a indígenas e o número de mortes de bebês acendem alerta. Dos 372 médicos que trabalhavam em terras indígenas, 301 eram cubanos do programa Mais Médicos que foram embora quando Bolsonaro anunciou o fim da parceria. Em meio a ‘apagão médico’ indígena, 3 crianças morrem em 11 dias no Xingu.

A saída dos cubanos do programa Mais Médicos, em novembro do ano passado, e o corte de verbas da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ambas decisões da gestão do presidente Jair Bolsonaro, agravaram a já precária assistência nos territórios indígenas.

Além de médicos, faltam remédios como antibióticos e anestesias, o que compromete atendimentos básicos e demanda custosos resgates aéreos, fluviais e terrestres até as cidades. O combustível também é insuficiente para as emergências. Por conta dos cortes, funcionários da saúde com salários atrasados abandonaram seus postos – ou trabalham voluntariamente. O caos parece instalado nos territórios indígenas, mas quando eles recorrem à cidade, o SUS pode ser ainda mais cruel. 

As mortes de três bebês kaiabis no intervalo de 11 dias em abril revelam como o Brasil cuida da saúde de suas crianças indígenas. Jaqueline Kaiabi, de 2 meses, morreu de pneumonia no Hospital Geral de Cuiabá, mais de um mês após entrar na infinita espera por uma cirurgia cardíaca. Nare Pedro, de 2 anos, morreu após sua luta contra a desnutrição esbarrar em uma pneumonia maltratada. Já Milena viveu por apenas 28 dias. Se no parque indígena não havia médicos para ela, nas ricas cidades mato-grossenses não tinham vagas nos hospitais.

Sentado sobre um saco de castanhas na aldeia onde Milena nasceu e está agora enterrada, Makatu Kaiabi, 23 anos, diz em voz baixa que não entende como perdeu a filha. Seu relato, no idioma kaiabi, é traduzido por um indígena que mora na região. Ao lado da mulher, Severina, 16, e do primogênito Tairu, 2, Makatu conta que a filha continuou “irritada” nos dias seguintes à consulta com a enfermeira. 

A prefeitura de Sinop está recusando atendimento à população indígena na rede municipal da saúde pública

A família decidiu então levar a recém-nascida até o polo Diauarum, referência de saúde no médio Xingu. Milena ficou internada por cinco dias, segundo o pai, sem passar por médicos nem por exames mais complexos. Sem diagnóstico. 

Uma segunda enfermeira, recém-chegada ao Diauarum com a equipe de vacinação, reavaliou a bebê e pediu sua transferência imediata. Milena chegou a Sinop aos 11 dias de vida em estado grave, com infecção generalizada, segundo boletim médico.

Fonte: Portal Vermelho